E aí, como tem passado?

Hoje eu tô tomando um mocha. 

Se nunca fez, é fácil: passa um espresso forte, derrete uma colher de chocolate meio amargo no fundo da xícara, joga o café por cima e fecha com leite vaporizado. Eu gosto de fazer nas tardes em que a conversa pede algo mais doce que café puro mas sem virar sobremesa.

Hoje vamos analisar um dos cases mais interessantes que saiu nesse último ano.

No começo do ano a Anthropic publicou um case interno. Por dez meses, todo o growth marketing da empresa foi tocado por uma pessoa só com um squad de agentes de IA do lado.

É a primeira vez que uma operação de growth rodando assim aparece detalhada em público.

O cara se chama Austin Lau.

Não veio da engenharia, não tem MBA, não sabe programar. Antes de começar, teve que pesquisar no Google como se abre um terminal. E sozinho, com o squad que ele mesmo montou, tocou Google Ads, Meta Ads, criativo, analytics, teste iterativo.

E aqui mora a parte interessante. A maioria vai ler o case e achar que o cara usou IA pra fazer marketing mais rápido. Não. Ele usou o Claude Code pra montar o sistema que faz o marketing. 

O sistema dele tem duas peças.

  1. A primeira é um plugin no Figma que cospe variações de criativo num clique. 

Antes ele ficava horas copiando e colando texto entre Figma e Google Docs pra cada batelada de anúncio. Agora cola as variações de copy uma vez, clica, e sai dezenas de criativo pronto. Trinta minutos viraram trinta segundos.

  1. A segunda é um comando pra Google Ads chamado /rsa.

Ele digita, o Claude pede os dados da campanha, a copy de antes e as palavras-chave, e cruza tudo com as regras de tom de voz da Anthropic, precisão de produto e as melhores práticas de responsive search ads. Em cima disso, dois agentes especializados entram pra trabalhar. Um cuida só de headline. Outro cuida só de descrição. Cada um respeitando o limite de caractere da plataforma. No fim, o sistema cospe quinze headlines e quatro descrições por anúncio, num CSV pronto pra subir.

Olha pra esse detalhe dos agentes especializados. 

Quando você joga tudo num prompt só, o modelo se perde. Quando você quebra em agentes com função específica, cada um vira craque naquilo. É o mesmo princípio de time bem montado: especialista entrega mais que generalista cansado.

O trabalho do Austin virou desenhar o sistema, calibrar o que ele lê, ajustar a lógica de decisão. 

E enquanto ele construía, a Anthropic crescia. Janeiro de 2024, a empresa faturava 87 milhões de dólares anualizados. Abril de 2026, 30 bilhões. O Dario Amodei, CEO, disse em entrevista que o ritmo passou em oito vezes a previsão interna deles mesmos.

Pensa nisso como gestor. Quantas vezes você ouviu que pra escalar precisa contratar. Que pra dobrar precisa de mais gente.

O case do Austin mostra outra conta. Dá pra escalar mantendo o time em uma pessoa, desde que essa pessoa esteja montando sistema, e não fazendo tarefa.

E essa é a tese da edição de hoje: trocar tarefa por sistema.

Quem faz tarefa o dia inteiro tá fazendo um trabalho que daqui a pouco vira sistema. Não porque a pessoa é dispensável. Porque a tarefa é o que vira agente. O que essa pessoa faz com a hora liberada é o que vai definir o lugar dela na próxima década.

Eu te falei na primeira edição que a gente tá vivendo uma revolução IAstrial silenciosa. Que ia ser rápido. Tá acontecendo…

Até a próxima.

Dante Araújo

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