E aí, como tem passado?

Hoje eu tô tomando um café coado, daquele bem simples que minha vó fazia, com aquele cheiro que invade a casa inteira sabe? Combina com o assunto de hoje porque a gente vai falar sobre voltar ao básico no meio do barulho. Prepara o seu e bora.

Em abril a Anthropic lançou o Claude Design. Ferramenta que pega texto e devolve protótipo, slide, landing page. A ação do Figma caiu no dia. E o que eu vi acontecer na internet depois disso é a razão dessa edição existir.

Foi uma enxurrada de post dizendo que o Figma tinha morrido. Que o Canva ia desaparecer. Que designer ia ficar desempregado. Que quem não migrasse pro Claude Design em trinta dias ia ficar pra trás.

E não é a primeira vez que vejo esse roteiro. Toda vez que sai um modelo novo, alguém posta que enterrou outra ferramenta, e a multidão compartilha sem pensar duas vezes. Foi assim com o ChatGPT supostamente acabando com o Google. Foi assim com o Sora ameaçando a Adobe. Foi assim com tantas outras que eu já nem me lembro.

E aí vem a edição de hoje.

Esses dias eu tava conversando com a minha noiva em casa e em algum momento eu falei algo como: "ah, no Nano Banana dá pra fazer isso melhor". Ela olhou pra mim e perguntou: o que é Nano Banana?

Naquele instante eu tomei um susto saudável. Apesar de eu trabalhar com isso todo dia, eu vivo dentro de uma bolha minúscula perto do mundo real lá fora.

Minha noiva ama o Canva. Faz todas as apresentações da faculdade dela artesanalmente, no iPad, com calma de quem tá esculpindo. Escolhe cada gráfico, cada animação, cada fonte. Passa horas polindo. E o resultado é uma coisa que eu juro que não conseguiria fazer, porque na minha cabeça eu já ia pedir pra IA fazer ou pegar algo pronto.

Se eu chegar pra ela e disser que o Claude acabou de enterrar o Canva, ela vai rir da minha cara. E vai estar certa de rir.

Porque o mercado tem uma inércia que internet nenhuma muda. Tem ferramentas há vinte anos no dia a dia das pessoas, com milhões de usuários ativos, décadas de pesquisa de comportamento, time inteiro focado em entender quem usa. Esse tipo de coisa não vai pro lixo porque saiu uma ferramenta nova bonitona.

E aqui tá a melhor parte. Quando o Claude Design saiu, em abril, isso tudo ainda era aposta minha. Agora, dois meses depois, os fatos já responderam.

O Figma não morreu. Em maio, ele lançou o próprio agente de IA dentro do canvas, feito sob medida pra design. No primeiro trimestre faturou 333 milhões de dólares, 46% a mais que no ano anterior, e ainda elevou a projeção do ano.

O Claude Design é bom de verdade, eu testei. Pra quem é founder, PM, vendedor, ou qualquer pessoa que precisa entregar visual sem ser designer, ele resolve. Pitch deck, landing page, protótipo de produto que precisa nascer hoje, ele faz numa conversa.

Mas a própria Anthropic deixou claro no lançamento que não tá tentando substituir ninguém. A CEO da Canva, Melanie Perkins, entrou no comunicado oficial: o Canva ajudou a construir o Claude Design, e o protótipo feito lá vira arquivo editável dentro do Canva.

E pra design de produto sério, com sistema de componente, colaboração de time, handoff pra desenvolvedor, vetor, ilustração, o Figma continua sendo o Figma. Quem usa Photoshop pra manipulação de imagem em alta resolução não vai trocar isso por prompt tão cedo. Inclusive, o próprio Figma faz questão de não casar com um modelo só: usa Anthropic, OpenAI e Google, cada um onde rende mais.

As análises sérias apontam a mesma coisa. O Claude Design não substitui o Figma. Resolve um problema que essas ferramentas ignoravam, que é tirar o gargalo da pessoa que não é designer mas precisa entregar algo visual de qualidade.

Casos de uso diferentes pra públicos diferentes.

A internet, no entanto, não quer entender isso. Conteúdo de morte rende mais que conteúdo de nuance. "Sua profissão acabou" rende mais like que "essa ferramenta nova ajuda em casos específicos".

E é aí que eu queria fechar.

Toda vez que aparecer um post dizendo que X acabou de enterrar Y, te convido a fazer uma pergunta antes de acreditar: o que essa pessoa tá ganhando com esse conteúdo? Quase sempre é alcance e a próxima venda. E se ela estiver errada, ela não perde nada. Você, que mudou tudo achando que precisava, é quem fica com a conta.

Se a ferramenta que você usa hoje tá encaixada no seu fluxo e entrega o resultado que você precisa, segue com ela. Testa o novo num projeto pequeno, sem pressa, e vê se complementa ou substitui de verdade alguma coisa. Aí sim decide.

Eu uso IA todo dia, em quase tudo. E uso Excel, Notion, Figma, Google Docs, WhatsApp também. Cada ferramenta resolve uma coisa diferente, e mudar por mudar nunca foi estratégia.

Tá tudo bem fazer com calma.

Ah, antes de você ir: lembra da palestra que eu dei semana passada, sobre montar um squad de IA pra tocar o marketing? Vou subir ela completa no meu canal do YouTube amanhã, às 18h. Se inscreve no canal agora pra ser avisado na hora que ela entrar no ar.

Até a próxima.

Dante Araújo

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