Oi. Seja bem-vindo à Contexto Zero.
Se você chegou até aqui, provavelmente me conhece de algum lugar. Do Instagram, de um evento, de um projeto, de uma indicação. Ou talvez não me conheça de lugar nenhum e só clicou porque o título te chamou atenção. Nos dois casos, fico feliz que você tá aqui.
Deixa eu me apresentar rapidinho.
Eu sou Dante Araújo, CTO da Método. Há mais de 10 anos eu implemento tecnologia pra e-commerces e outros negócios. Já foram mais de 500 projetos, de operação pequena a grupo bilionário.
A gente trabalha com VTEX, Shopify, integrações com ERP, CRM, e mais recentemente tá colocando IA pra rodar de verdade dentro de operações que faturam pesado. Sou de Natal, moro em Natal, trabalho de Natal pro Brasil inteiro.
Pra quem já me conhece: oi, tô aqui também, além do feed.
Essa é a primeira edição de um projeto que eu tô bem animado. Eu sempre fui muito de consumir newsletter.
É um formato que eu gosto porque a conversa não tem pressa. Não precisa caber em 60 segundos de reels, não precisa de gancho nos três primeiros segundos, não tem algoritmo decidindo quem vai ver.
Você abre quando quer, lê no seu tempo, e o assunto vai mais fundo do que qualquer post consegue ir.
Eu comecei recentemente uma rotina de produção de conteúdo e no meio desse processo um parceiro meu me provocou: "tu que vive isso todo dia, que implementa isso nos clientes, por que não abre uma newsletter?" E a ideia grudou. Então aqui estamos. Você escolheu estar aqui. Isso muda tudo.
Pega um café e vamos lá.
Eu quero começar essa newsletter te contando uma coisa que eu ando pensando bastante.
A gente tá vivendo uma revolução industrial. Só que essa não tem sirene. Não tem fábrica inaugurando em Manchester. Não tem vapor saindo de chaminé. Não vai ter fotografia icônica de operário saindo do turno.
E eu sei que parece exagero. Mas acompanha meu raciocínio.
A Revolução Industrial original, aquela lá do século XVIII, começou com uma coisa simples: máquinas substituíram ferramentas manuais. A indústria têxtil foi a primeira. Uma máquina de tear permitia que uma pessoa fizesse o trabalho de dezenas. A produtividade explodiu da noite pro dia.
Agora o que aconteceu depois é a parte que ninguém romantiza.
O artesão que controlava o ritmo do próprio trabalho, que dominava o processo inteiro de fabricação, foi jogado pra dentro de uma fábrica onde ele operava uma fração de uma máquina que ele não entendia por completo.
A autonomia acabou. A produtividade subiu, sim, mas junto veio desemprego em massa, precarização brutal, cidades inchando sem estrutura, crianças trabalhando em turno de 16 horas. O ludismo, que a gente aprende na escola como "os caras malucos que quebravam máquinas", na real foi gente desesperada que viu o chão sumir debaixo dos pés em questão de meses.
A riqueza explodiu. Mas pra quem já tinha capital. O trabalhador comum levou quase um século pra começar a ver algum benefício real da revolução que tinha bancado com o próprio suor.
Agora me diz se isso não te lembra alguma coisa.
Nos últimos meses, o que eu vi mudar na rotina dos projetos que a gente toca é coisa que não mudou nos cinco anos anteriores somados.
Processos que levavam semanas agora levam horas.
Tarefas que precisavam de três pessoas agora precisam de uma pessoa com uma boa instrução.
Tem empresa demitindo setor inteiro numa terça e não soltando nota.
Tem ferramenta nova surgindo toda semana e a maioria das pessoas nem sabe por onde começar.
A revolução tá acontecendo. Só que é silenciosa. E por ser silenciosa, é mais perigosa.
Eu uso IA todo dia. Meu Google virou o Claude.
Quando eu quero pesquisar qualquer coisa, minha primeira reação é abrir uma conversa com IA, não uma aba de navegador. Quando eu preciso montar proposta, estruturar projeto, analisar dado de cliente, a IA tá ali do lado. Ela faz parte da operação. Não sou o cara que vai aparecer aqui dizendo que é modinha.
Mas eu também não vou ser o cara que vende utopia.
Porque o que eu tô vendo no mercado me preocupa.
Tem um termo novo agora chamado vibe coding. Basicamente o cara abre uma IA, descreve o que quer e a IA programa pra ele.
Sem o cara saber uma linha de código. E olha, eu uso isso no meu dia a dia. Funciona. Pra mim o vibe coding é o novo Excel.
Sabe aquele cara que em toda empresa era o bom de planilha, que montava aquelas automações e isso ajudava muito ele no trabalho? É essa a ideia. Pra quem sabe o que tá fazendo, é uma ferramenta absurda.
O problema é quando o cara não sabe o que tá fazendo. Não tem capacidade de olhar pro que a IA devolveu e dizer se aquilo tá certo ou errado.
E aí transforma aquilo num produto, vende pros outros e quando começa a quebrar não sabe por quê. Nem sabe onde quebrou. Nem sabe se já tava quebrado desde o começo.
Eu vi um post esses dias de um cara contando que a IA da empresa dele tava inventando dados de vendas. Inventando. Há seis meses.
O CFO fechou loja e abriu loja em bairro diferente baseado nesses números. Quando alguém finalmente perguntou "mas isso tá certo mesmo?", foram verificar e tava tudo fabricado. Seis meses de decisão estratégica em cima de dado que não existia. Porque ninguém checou.
Tem uma máxima que eu adotei pra tudo que eu faço com IA: confie, mas verifique.
Parece simples. Não é.
A IA te devolve as coisas com tanta confiança, num formato tão bem montado, que seu cérebro aceita. Você lê, pensa "faz sentido", e segue.
E aí você tá construindo um castelo de cartas. Cada andar parece firme. Mas se a base tá errada e você não conferiu, a qualquer momento aquilo desaba e você não sabe por quê.
É igualzinho à Revolução Industrial. A máquina produzia mais rápido, mais barato, em escala absurda. Mas se você não entendia a máquina, a máquina te engolia. O cara que soube se adaptar, que entendeu como usar a tecnologia a favor dele, prosperou. O cara que ficou passivo, ou que abraçou cegamente sem entender o que tava acontecendo, foi atropelado.
A diferença é que lá levou décadas. Aqui tá levando meses.
Eu não tô aqui pra ser o cara chato que só critica. Eu uso, eu implemento, eu vejo funcionando de verdade todo dia. Mas eu tô aqui também porque não existe certo e errado absoluto nessa conversa. Pode ser certo pra mim e errado pra você. Pode estar todo mundo certo no fim das contas. O que não pode é ninguém estar prestando atenção.
A Contexto Zero vai ser isso. Toda semana, aqui, uma conversa sobre o que tá acontecendo por dentro dessa revolução. Bastidores do que eu tô implementando nos clientes, ferramentas que eu tô testando, coisas que funcionaram e coisas que deram errado. Sem filtro de algoritmo, sem limite de caractere, sem pose.
Se você quer acompanhar, fica por aqui. Vai valer a pena.
Até a próxima edição.
Dante Araújo

