Oi. Chegamos na segunda edição.

Na semana passada te chamei pra um café. Essa semana eu quero trocar uma ideia de boteco. E pra aproveitar que é sexta-feira, pega a caipirinha.

Antes de entrar no assunto, quero te mostrar uma coisa. Tá vendo que a newsletter tá com uma cara diferente? 

O time tava trabalhando na identidade visual da Contexto Zero e a gente chegou numa estética que eu curti muito. A referência foi os primórdios da computação pessoal. Monitor CRT, disquete, tipografia de terminal. Aquela época em que tecnologia tinha cara de tecnologia. 

Só que trazendo pra hoje. Um retrofuturismo que eu acho que conversa bem com o que a gente faz aqui: olhar pra onde a tecnologia tá indo sem esquecer de onde ela veio.

Bom, vamos pro que interessa.

Essa semana eu vi um carrossel no Instagram que me fez parar o que eu tava fazendo pra ler. E olha que eu não paro fácil.

O cara contava uma história que começa com a Coca-Cola.

Quando a Coca-Cola se popularizou, todo mundo queria ser a Coca-Cola. A marca icônica. A fórmula secreta. O império construído dentro da garrafa. Era ali que tava o glamour, a fama, o nome que todo mundo conhecia.

Só que a Coca-Cola precisava chegar gelada. E quem queria tomar uma coquinha, queria uma coquinha gelada. Então o que aconteceu? A demanda por geladeira explodiu. Todo bar, todo restaurante, todo mercadinho precisava de uma.

A empresa de geladeira ninguém lembrava o nome. Sem marca icônica. Sem fórmula secreta. Infraestrutura pura. Trabalho invisível. Mas quanto mais Coca-Cola vendia, mais geladeira vendia junto. Silenciosamente. Toda vez.

A tese do cara era: IA é a mesma coisa.

OpenAI é Coca-Cola. Anthropic é Coca-Cola. Toda startup de modelo de IA é Coca-Cola. Queimando bilhões, brigando pela fórmula, disputando quem vai ser dono do que tá dentro da garrafa.

Enquanto isso, ninguém tá vendendo a geladeira.

E o que é a geladeira em IA? É a parte que ninguém quer fazer. Instalar agentes em sistemas reais. Limpar os dados pra IA ter com o que trabalhar. Mapear os fluxos pra ela saber o que é certo e o que é errado. Pegar o conhecimento que tá solto na cabeça das pessoas e colocar num lugar onde a IA consiga acessar.

O cara trazia uns dados que reforçavam a tese. 54% das pequenas e médias empresas não têm nenhuma expertise interna em IA. 41% têm dados tão sujos que a IA simplesmente não funciona. E 41% já preferem comprar IA através de alguém local do que tentar resolver sozinhas.

E tinha uma coisa que ele disse que ficou na minha cabeça: o Silicon Valley acha que IA vai ser vendida como Slack. 20 dólares por mês, um clique, valor instantâneo. Enquanto isso, o mercado real tá pagando 10 mil dólares só pra alguém ligar a parada.

Esse gap entre o que o Vale do Silício imagina e o que o mercado real precisa é o negócio da geladeira.

E eu concordo com a tese. Mas a conclusão que eu chego é mais específica. Porque o maior gap do mercado de tecnologia dos últimos anos não é de ferramenta. Não é de modelo. Não é de capital.

É de gente.

Falta gente que saiba implementar.

Gente que entenda como uma operação funciona por dentro.

Que saiba o que é um ERP, como ele conversa com uma plataforma, onde o dado nasce e onde ele morre. 

Que consiga olhar pra um fluxo e dizer onde tá quebrado. Que tenha capacidade de pegar uma ferramenta de IA e colocar pra rodar dentro da realidade de um negócio real. 

Com os dados que ele tem. Com o sistema que ele usa. Com as limitações que ele tem.

E esse tipo de gente não tá sobrando. Tá faltando.

O cara que cria modelo de IA não vai descer pra arrumar o CRM de ninguém. E a empresa que precisa de IA não sabe fazer sozinha. Ela sabe que quer. Leu no LinkedIn que todo mundo tá usando. 

O concorrente disse que tá usando. O fornecedor mandou e-mail dizendo que agora tem IA. Mas ela não sabe o que precisa arrumar antes. Não sabe por onde começar. E não tem ninguém internamente que saiba.

Eu vejo isso toda semana. O cara quer IA mas o cadastro de produto tá incompleto. Quer automação mas o ERP não conversa com a plataforma. Quer agente de atendimento mas os dados de venda não batem com o financeiro. E ninguém parou pra resolver isso antes de querer colocar inteligência artificial em cima.

E aí eu quero te levantar uma coisa.

Se você vive isso aqui. Se você trabalha com tecnologia, com implementação, com integração. Se você é o cara que entra no sistema do cliente e faz funcionar. Presta atenção. Porque talvez essa seja a melhor oportunidade que apareceu nos últimos anos pra você.

Existe um mercado gigantesco se formando. E ele não tá pedindo gente que cria modelo de IA. Tá pedindo gente que faz funcionar. Que pega o que já existe e coloca pra rodar dentro de uma operação que fatura de verdade.

A demanda por Coca-Cola tá explodindo. Todo mundo quer IA. Todo mundo quer agente. Todo mundo quer automação.

E não tem geladeira suficiente.

Se você sabe instalar geladeira, meu amigo, o momento é agora.

E se você não sabe, me chama no direct que eu instalo a sua.

Até a próxima edição. 

Dante Araújo

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